O revés sofrido na última terça-feira foi o mais marcante na história do futebol brasileiro, superando até mesmo o "Maracanazo" de 1950. O massacre poderia ter sido maior, caso os alemães não tivessem reduzido a intensidade de seu bom futebol. Depois do jogo, alguns jogadores se manifestaram apoiando o futebol brasileiro. A nós brasileiros resta tirar o máximo de proveito deste revés e aprender com a lição dada pelos alemães, dentro e fora de campo.
Se dentro de campo o futebol alemão deixou o mundo pasmo, fora de campo os alemães deixaram-nos pasmos também. A simpatia e alegria com que interagiram com nossa gente foi algo que não estava no script que nos passaram: eles não são tão "frios" quanto nos disseram ser. Andaram descamisados por um bairro simples no interior da Bahia e abraçados com brasileiros cantaram "Bahia, Bahia, Bahia". Arriscaram aprender alguns passos de nossa música, que insistimos em dizer ser pior do que a deles. Até mesmo nossa cerveja, com alta quantidade de milho e arroz, foi elogiada.
Além da simpatia, podemos também aprender com eles como vencer no jogo da vida. Há quase sessenta anos atrás, a Alemanha era um país destruído por duas guerras consecutivas. Hoje o país é um dos, senão o mais, fortes da zona do Euro, resistindo melhor que seus vizinhos às crises econômicas recentes. Eles aprenderam a reconstruir o que estava quebrado e destruído por líderes mal intencionados. Sua seleção de futebol, se reestruturou após a queda para nossa seleção em 2002 e voltou mais forte do que nunca.
Os alemães nos disseram dentro de campo, de modo simbólico, que o futebol não se ganha apenas com vontade e improvisações. É preciso ter planejamento, união e investimento em áreas importantes. Este time começou a ser montado há quase oito anos e chegou na final pronto para ser campeão, não importa o resultado do jogo no próximo domingo. Para nos reconstruirmos, depois de muitos anos de inércia e joguetes políticos, também precisamos de planejamento. As manifestações do Movimento dos Vinte Centavos foram apenas nossa vontade e uma nada planejada improvisação. Precisamos nos planejar para construir um país justo e igualitário.
Precisamos nos organizar enquanto povo, que possui diversidade étnica, cultural e religiosa ímpares. É necessário que as diferenças sociais sejam reconhecidas e, em conjunto, superadas. Não se vence as desigualdades de nosso país tendo um "único Neymar" em campo, isto é, não podemos pensar de forma individualista quando tratamos o rompimento da desigualdade histórica do Brasil. Somos todos responsáveis pela construção de um país justo e igualitário.
Os alemães reconhecem o valor histórico do futebol brasileiro e pediram respeito por ele. Contudo, não se esqueceram de mencionar o trabalho realizado por diversos setores esportivos do país para que esta seleção pudesse ter êxito, como o grande investimento nas categorias de base. De igual modo, precisamos aprender a reconhecer as coisas boas de outros países, como a preocupação dos japoneses com a limpeza dos Estádios pós-jogos, sem esquecer que temos bons exemplos entre nossa gente também. O estrangeiro não pode ser mais valorizado do que o nacional. Tão pouco o contrário pode acontecer.
Temos que agradecer a Seleção Alemã por nos lembrar o que é um bom futebol e por todas as outras coisas boas que vimos até então. Danke, Deutschland!

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