domingo, 5 de outubro de 2014

Do voto de cabresto ao voto religioso


Estes dias vi alguém compartilhando no facebook uma imagem "pró Marina" e "anti-PT". A imagem era oriunda do site de um tal de André Valadão, que utiliza este espaço na rede social para também divulgar seus CD's, DVD's, sua grife de roupas,e Shows gospel. O tal André cantor e pastor de uma famosa igreja evangélica em Belo Horizonte, minha cidade. Fique intrigado como um sujeito pode divulgar seu trabalho religioso, sua grife de roupas e suas posições políticas num mesmo ambiente. "FÉ-da-zunha", meu mineirês exclamou.

Que esta turma usa da FÉ para vender CD's, DVD's, roupas, chaveiro, adesivos, viagens para Israel, etc., todos já sabiam e, em certa medida, se indignam. Agora me vem o "FÉ-da-zunha" panfletar na rede social utilizando o espaço conquistado pela FÉ alheia? Além de um disparate, achei um ato de mal caratismo sem tamanho. Ato que comparo com o que faziam os fazendeiros de antigamente, ao obrigar (muitas vezes por meio da violência) seus trabalhadores a votarem em um candidato político que ele havia escolhido. Tal ato é denominado "voto de cabresto".

Se no passado o "voto de cabresto" era a arma dos homens no poder, em nossos dias, em nome da religião, o mesmo acontece. Contudo, através de versículos isolados e não interpretados com honestidade, por exemplo: "Porás certamente sobre ti como rei aquele que escolher o Senhor teu Deus; dentre teus irmãos porás rei sobre ti; não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja de teus irmãos." (Dt 17:15). Ou então pelo chavão "irmão, vota em irmão". A estes lembro que Caim matou Abel. Lamentavelmente, é o "voto religioso".

Em nossos dias não é incomum um pastor, cantor ou qualquer outro tipo de líder religioso, incitar seus seguidores a votarem em determinado candidato que o próprio líder escolheu ou a não votarem em outro determinado candidato. Em alguns casos, creio que seja por inocência ao acreditar em boatos relacionados ao candidato possam ser verdade, ou que as palavras do outro candidato sejam verdadeiras. Em outros casos, creio que comentem tais atos por abuso do poder religioso que seus seguidores lhes conferiram. Neste segundo caso, eles agem por má-FÉ fazendo acordos com alguns candidatos para serem beneficiados, caso estes sejam eleitos. Conheci líderes evangélicos que arrotavam de boca cheia que tinham acesso a determinado político famoso. Uma ausência de graça, para não dizer desgraç...

Apontar candidatos não é a tarefa do pastor num momento onde o futuro do país é escolhido por meio da eleição. Cabe ao pastor/líder ensinar aos seus ouvintes a escolher o melhor candidato, falando sobre as qualidades que estes devem possuir para que sejam escolhidos. Não cabe ao pastor/líder escolher os candidatos no lugar das ovelhas, dizendo em qual devem votar. Ao pastor cabe a tarefa de ensinar a pensar e não a de decidir por suas ovelhas. Que Deus nos seja inspiração neste 5 de outubro. Boa eleição á todos.

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