segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Aproximações entre Brahman e Jesus


Dos deuses védicos o que mais se assemelha ao Deus cristão é, sem dúvidas, Brahman. Segundo os mais antigos Upanixades, ele é identificado como "o Um" neutro, o ser primeiro. Este ser é "impensável, ilimitado, eterno, o Um e o todo, 'Criador' e 'senhor' do mundo". Ele encerra em si todos os atos, desejos, odores e paladares. Os indianos acreditavam o "atman" que habitava em seus corações, ainda que fosse menor que um grão de cevada, menor que um grão de mostarda, ele seria maior que a Terra, maior que a atmosfera, maior que todos os mundos. "Abrangendo todos os atos, todos os desejos, ... abrangendo todo este mundo, ... isso é meu 'atman' no coração; isso é Brahman. Ao morrer, eu entrarei nele", acreditavam os indianos (Brhadaranyaka Up., III, 7, 3).

O "atman" representa a essência divina no homem. Segundo o Rig Veda, X, 90, Brahman habita o coração do homem, através do "atman", o que implica a identidade entre o verdadeiro "Eu" e o ser universal. No "post mortem", o "atman" se une ao Brahman no "mundo do relâmpago". Lá os que morreram encontram uma "pessoa espiritual" ("purusa manasah", isto é, "nascido do espírito"), e esta o conduz até os mundos de Brahman, onde viverão durante muito tempo e não retornarão mais. A união do "atman" com o ser universal (Brahman) constitui de alguma forma uma "imortalidade impessoal": o "Eu" confunde-se em sua fonte original, Brahman. "A luz que brilha além desse Céu, além de tudo, nos mais altos mundos além dos quais não há coisas mais altas, é na verdade a mesma luz que brilha no interior do homem" (Chandogya Up., III, 17, 7).

De modo semelhante o Deus dos hebreus, Javé, é identificado como "o Um" por seus seguidores (Dt 6.4). De igual modo, Javé é eterno, todo poderoso, completo, criador de todas as coisas e seu senhorio é testificado na Bíblia. A finalidade do mundo e os atos de Deus são lembrados por Paulo na carta aos romanos (11.36). Enquanto para os indianos o "atman" habitava no coração do homem, para o judeu era a "ruach" ("espírito"; "fôlego de vida") que habitava no homem. Ao morrer, o espírito do homem retorna para Deus (Ec 12.7). 

O cristianismo concebeu a ideia de que o Espírito Santo, o espírito de Deus, habita no homem (1 Co 6.19). Assim, Deus habita no homem através do Espírito. A promessa bíblica aos seus seguidores é que o Cristo, filho de Javé, irá conduzir os seus até o Pai  através do Espírito. Uma das tarefas do Espírito é aperfeiçoar o fiel até o dia em que ele encontrará o seu Criador (Fp 1.6), nesta vida ou após dela. No seu Deus, o cristão encontra a imortalidade. "Seremos semelhantes a ele", afirmou João (1 Jo 3.2). O cristão ("pequeno Cristo") é, então, uma pequena fração de seu Deus: de dentro do cristão brilha uma luz que não é sua, mas do próprio Deus.

Referências retiradas de: ELIADE, Mircea. "História das Crenças e das Ideias Religiosas" - Vol. I: Da Idade da Pedra aos Mistérios de Elêusis. Rio de Janeiro, Zahar, 2010, p. 231-233.

sábado, 12 de setembro de 2015

Por uma teologia que não fique pelo caminho


Tenho pouco ou quase nenhum contato com amigos que comigo cursaram Teologia. Mas o raro contato que tenho me deixa extremamente triste. Explico.

Alguns (não todos!) destes amigos tiveram contato com uma teologia saudável, teologia realmente significativa e que ia de encontro com muito do que anteriormente nós, de modo geral, entendíamos como certo. Tendo meu caso como parâmetro, percebi que este processo tirou-me muitas certezas que estavam fundadas em bases não sólidas. As muitas dúvidas que dali surgiram, me direcionaram para uma reflexão mais moderada e humilde. Acredito piamente que estas dúvidas me fizeram caminhar.

O que me entristece em relação aqueles amigos da teologia, é que eles se formaram, o tempo passou e suas velhas reflexões fundadas em areia voltaram. Em alguns casos, vejo que se tornaram mais "ateológicos" do que antes. Talvez seja o revés que a teologia cause em muitos, o revés de nos levar a crer que nossa reflexão "pós-faculdade de teologia" respalda qualquer coisa que dissermos e (não) refletirmos. "Eu fiz teologia; sei o que estou falando", alguns talvez arrazoem consigo.

Não sou ingênuo de pensar que todos os que passaram pelo curso conseguiram gerar conhecimento a partir das informações lá fornecidas ou oriundas de outras fontes. Mas me parece que muitos apenas buscaram o diploma. Além do status (essa palavra deve ter sido gerada no ventre Morgoth, num dia de diarreia brava), o diploma é usado para tranquilizar o próprio teólogo formado. Uma vez concluído o curso, "já sei o que deveria saber para falar sobre a religião". Com isso, nada de novo é acrescentado ao cabedal de conhecimento. A estagnação do saber faz com que muitos não se interessem por novas percepções teológicas que são propostas de quando em quando.

Teologia não pode ser escrita à tinta; ela deve ser escrita à lápis, pois o que temos por certo hoje por ser motivo de repulsa amanhã. No campo teológico não há espaço para absolutos. Não há verdades absolutas, quando falamos de teologia. A vida daquele que um dia pôs-se a estudar teologia deve ser o incansável ato de crer que "navegar é preciso, viver não é preciso".

Talvez seja a certeza e ausência de dúvidas que fez com eles parassem pelo caminho. As certezas são como um porto seguro onde navegadores preguiçosos ancoram seus navios do saber. Com o tempo o mar, onde as dúvidas habitam em cada onda, tempestade, correnteza, não atraem mais os antigos aventureiros. A certeza da terra firme é lamentavelmente confortável. Uma pena.  "A fé pressupõe a dúvida, a crença exclui a dúvida. A fé não é o oposto da dúvida, a crença é", disse Jacques Ellul.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os filipenses e a temperança


Filipos foi uma importante cidade Macedônia, colonizada por Roma e importante entrada para a Europa dos povos oriundos da Ásia. Durante sua segunda viagem missionária, o apóstolo Paulo passou pela Macedônia. Antes de entrar naquela região o apóstolos dos gentios teve uma visão de um homem macedônio que lhe dizia "passa à Mecedônia e ajuda-nos". A primeira cidade que ele passou foi justamente a cidade de Filipos.

Nesta cidade Paulo e Silas pregaram para algumas mulheres que estavam à margem do rio. Lídia, uma vendedora de púrpura, recebeu a mensagem do Evangelho e juntamente com sua casa fora batizada. Após este evento, Paulo e Silas foram presos por expulsarem o "espírito de adivinhação" de uma escrava. Na prisão um terremoto derrubou as paredes e o carcereiro foi convencido por Paulo a não se matar, uma vez que os demais presos fugiram, e juntamente com sua casa fora batizado. Assim começou a igreja de Filipos.

Essas duas famílias não apenas cresceu a igreja de Filipos numericamente, mas também a fez crescer enquanto comunidade cristã. Esta igreja enviou recursos financeiros para Paulo em Tessalônia (Fl 4.16), em Corinto (2 Co 11.9) e agora novamente por intermédio de Epafrodito. O bom testemunho da comunidade cristã de Filipos é atestada por Paulo no capítulo inicial da carta, Carta esta que tem pouco ensejo doutrinário. Antes é uma carta de agradecimento, contendo alguns conselhos paulinos.

Paulo escreve da prisão (provavelmente Roma). Tendo em vista os conselhos dados pelo apóstolo, podemos compreender que Epafrodito relatou a Paulo sobre os problemas vividos pela igreja de Filipos: judaizantes. Estes julgavam a igreja de Filipos por não seguirem os costumes judaicos e, por conseguinte, serem pecadores. Isso afetou a comunidade de Filipos, que prezava por seu bom testemunho. "Nós acolhemos Paulo quando veio a nossa cidade, lhe suportamos financeiramente e com nosso amor, demos bom testemunho e, assim, a igreja cresceu aqui. Por que passamos por isso?", poderiam indagar os filipenses.

Paulo recomendou que a comunidade que permanece unida no "mesmo sentimento" (2.2); que se lembrassem da "kenósis" do Cristo, que mesmo sendo Deus, abriu mão de sua glória e fez-se comum, igual aos homens, mas foi exaltado pelo próprio Deus. Paulo lembra que o próprio Cristo assumiu a postura de um escravo (2.7), humilhado pela vexatória cruz. Assim os Filipenses deveriam agir: buscar a humildade que está presente no Cristo que se esvaziou e foi glorificado pelo Pai - não pelos homens!

Paulo ainda diz aos filipenses que tais judaizantes não possuem outro deus senão o "próprio ventre" (3.19). Eles seguiam mandamentos que de nada serviam para a vida cristã. Paulo lembra aos filipenses que ele mesmo era "hebreu filho de hebreus", da tribo de Benjamin, fariseu, cumpridor da Lei, mas que para ele tudo isso tinha valor de "esterco" (3.8).

O prisioneiro Paulo incentiva os irmãos filipenses a manter a alegria que Deus lhes proporcionou através de Cristo Jesus. Incentiva-os a manterem-se moderados, isto é, que vivam a vida cristã com temperança, buscando a medida correta para a vida. "Não é o que vocês comem, bebem, leem, escutam, conversam, que dita qual perto ou longe estão de Deus", poderia dizer. "O Senhor está próximo [de vocês]" (4.5). Ele exortou ainda para que nada tirasse a paz dos irmãos, mas que as suas dificuldades, mediante as acusações, fossem apresentadas a Deus, pois o próprio Deus lhes proporcionaria uma paz que excederia qualquer compreensão.

"Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor" (4.8). Paulo convida aos filipenses a enxergarem o Deus que se manifesta para além da Lei; para além da religião. Paulo fala de uma Verdade superior, a qual não está presente apenas dentro da religião. Agostinho expressou isso do seguinte modo: "Se aqueles que são chamados de filósofos, em especial os platônicos, disserem qualquer coisa que seja verdadeira e consistente com nossa fé, não devemos rejeitá-la, mas antes reivindicá-la para nosso uso, conscientes de que eles a possuem injustamente... De fato, entre eles [pagãos] encontram-se algumas verdades relativas à adoração do Deus único... Portanto, o cristão é capaz de separar essas verdades de suas infelizes associações, separando-as e utilizando essas verdades de maneira adequadas à proclamação do evangelho." Logo, Deus deve ser procurado pelos cristãos onde Ele estiver: na natureza, na música, na literatura, na poesia, na arte, etc.

Paulo recomenda o que também praticou. "O que aprendentes e herdastes, o que ouvistes e observastes em mim, isso praticai. Então o Deus de paz estará convosco." Paulo em sua carta aos filipenses incentiva que na prática do amor, eles crescessem em conhecimento e sensibilidade (1.9). Conhecimento de Deus e sensibilidade para enxerga-lo onde quer que ele se manifestasse. Isso é maior do que qualquer observância da lei do "isso pode", "isso não pode". Nem a rigidez da Lei, nem os excessos do hedonismo: a vida anseia por temperança, por moderação.

Ciente de que a Verdade poderia estar em meio pessoas e coisas estranhas à vida cristã, Paulo afirma que seu interesse é de que a Verdade seja exposta ao mundo. Não importa o modo (1.17-19). Seja na banda de rock do cantor dependente químico, seja no quadro do pintor promíscuo, seja no livro do escritor bêbado, ou mesmo na natureza que insistimos em maltratar. Paulo exorta aos filipenses para buscarem por BELEZA. Mas não por qualquer tipo de beleza, que a cada época é re-significada com novos padrões. Mas de uma beleza que expresse a origem da palavra própria palavra "beleza": "Bet-El za", isto é, "lugar onde Deus brilha".

E onde Deus brilhar seus seguidores o reconhecerão, pois conhecem a sua voz (Jo 10.1-4). E ainda que os demais acusassem os filipenses de serem pecadores ("avon", isto é, "errar o alvo"), eles deveriam fazer como o apóstolo: "Irmãos, não julgo que eu mesmo já tenha alcançado, mas uma coisa eu faço: esquecendo-me do que fica para trás [a Lei] e avançando para o que está diante [a graça], prossigo para o alvo" (3.13-14). Paulo nos diz, em outras palavras: "Não se preocupem com o que as pessoas dizem sobre vocês, por vocês escutarem música 'secular' ou beber bebida alcoólica. Mantenham um testemunho verdadeiro diante das pessoas e apresentem os seus problemas a Deus, que está próximo de vocês. Busquem a face de Deus, não na legislação da vida, por meio de métodos para se alcançar Deus: ele está na vida, procurem por ele! Olhem para o verdadeiro Belo que está no mundo. Ainda que lhes acusem de estarem errando o alvo, façam como eu: não dê ouvidos; sigam a diante! E Deus irá lhes acalmar o coração."

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Livrai-nos de todo machismo, amém.


Uma garota francesa chamada Natalie Amyot, morou por três meses na Austrália e ao término deste período conheceu um rapaz com quem teve uma noite de sexo. Na manhã seguinte, ela voltou para seu país. Seis semanas depois descobriu-se grávida. Contudo, ela teria perdido seu aparelho celular e não teria outro contato do rapaz. O que ela fez? Gravou um vídeo contando sua história e colocou na internet pedindo ajuda para encontrar o pai de seu bebê.

Cansado de ver a enxurrada de "hoax" aparecendo no meu mural, pesquisei sobre o caso e achei o perfil da moça. Em seu mural ela posta diariamente notícias sobre sua jornada em busca do rapaz. Infelizmente, há também postagens pedindo para que as pessoas parem de julga-la, "pois eles não a conhecem". Numa das postagens, ela se diz muito chateada pela crueldade com que vem sendo tratada. Pessoas essas, que não podem lhe ajudar em nada, mas gastam seu tempo ofendendo uma jovem que transou com um desconhecido e dele engravidou.

MAS, E SE A HISTÓRIA FOSSE ASSIM: "Jovem RAPAZ francês morou por três meses na Austrália e ao término deste período conheceu uma MOÇA com quem teve uma noite de sexo. Ao regressar para seu país recebe uma mensagem de um desconhecido australiano que lhe informa que a moça com quem ele transou está grávida, mas ele não sabe como ajuda-lo a encontra-la. O rapaz grava um vídeo e pede ajuda na internet." Qual seria a reação dessas pessoas que atacam a jovem Amyot? 

Infelizmente, acredito que o rapaz da história hipotética seria louvado por seu ato de bravura e hombridade. "Que homem faz uma coisa dessas hoje em dia?", diriam alguns. Seria elevado ao status de "príncipe encantado" em defesa e honra de uma donzela australiana. Dele se faria um "motivo para continuar a acreditar no amor". Dentre muitas bobagens que poderíamos dizer, o tratamento que ELE receberia, seria muito diferente do que a jovem está recebendo de alguns.

Por que? Porque uma mulher quando transa casualmente com um desconhecido "é puta". Agora quando um homem transa casualmente com uma desconhecida, "é garanhão"; "é macho". O sexo casual é um direito apenas do homem, na sociedade moderna. O falocentrismo ainda é a ordem do dia. Uma lástima.

O pênis circuncidado foi ao longo do judaísmo o símbolo máximo do compromisso do povo com Deus. Contudo, apenas o homem, por motivos óbvios, poderia carregar aquele importante símbolo. Após a vinda de Cristo, Paulo corrige este engano na carta aos Gálatas. O símbolo do compromisso com Deus não estava pênis, isto é, no ser humano macho; o símbolo de compromisso era algo que macho e fêmea poderiam ter, pois era algo de matriz espiritual (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança). E contra essas coisas o machismo patriarcal não tinha poder (Gálatas 5:22,23).

O machismo é algo que até o próprio homem precisa ser liberto. Machismo que priva o pai de beijar o filho e vice versa. Machismo que canta "homem não chora". Machismo que não veste "cores femininas" (de onde tiraram isso?) por temer ser taxado de "não-macho". Machismo que impede muitos homens de demonstrarem seus sentimentos a outras pessoas. Machismo que precisa de criar uma página para destacar seu "orgulho hétero". Machismo e machismos...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Deus também ora


"Ali ficou a noite inteira em oração, na presença de Deus" (Lucas 6:12, A Mensagem).

Muitas são as passagens que narram que Jesus era um homem que orava. Se quisermos ir além do exemplo dado por Jesus ao fazer orações, chegaremos a seguinte pergunta: Se Jesus era Deus, por que orava á Deus?

Antes de tentar responder pensemos um pouco sobre a oração. Podemos dizer que orar significa basicamente elevar a alma a Deus. Podemos dizer que é o meio o qual a criatura se dirige ao Criador. Podemos dizer ainda que é um clamor, pois como bem disse Eça de Queiroz, "quem não conhece o poder da oração, é porque não viveu as amarguras da vida". É um grito daquele que sofre seja pela falta de comer, seja pelo vazio que ter tudo causa. "Senhor, socorre-me", gritou a mulher cananeia, assim como também o fez Bartimeu.

Para se fazer uma oração não precisa ter um local certo, não precisa pertencer a uma determinada religião, ou ter um intermediador. Não precisa nem mesmo "saber as palavras certas". Segundo Jesus, basta que seja "simples e honesto na presença dele" (tradução A Mensagem). Não deve ser algo pretensioso, visando bajular Deus em troca de benevolências como faziam os antigos israleitas (Jr 7; Is 1; Am 5).

A oração aproxima o orador de Deus. Constrói relacionamento e como bem postulou Kierkegaard, "a função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora". Diferentemente do pensamento evangélico vigente no Brasil, a oração não é algo que existe para mover a mão de Deus, mas algo que move o cristão em direção ao Cristo. Voltando a pergunta, por que Jesus orava, então? Proponho responder á partir da seguinte canção e peço que leia como se o próprio Deus cantasse isso a seu respeito:

"Toda vez que penso em você
Eu sinto passar por mim um raio de tristeza
Não é um problema meu mas é um problema que tomei para mim

[Você] vivendo uma vida e eu fingir que está tudo bem
Não faz sentido em me dizer que “A sabedoria de um tolo não vai te libertar”
Mas é assim que as coisas são
E o que ninguém sabe é que
A cada dia minha confusão [a seu respeito] cresce

Toda vez que vejo você caindo
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Que você dirá as palavras que não posso dizer [por você]" - 'Bizarre Love Triangle', New Order.

Paulo disse que Jesus é aquele quem intercede por nós (Rm 8.34). Quando oramos vamos em direção á Deus. Quando Jesus ora o caminho até nós é trilhado por Deus. É como se dois pontos distantes fossem se direcionando um para o outro até que nossa vida se transforme em uma oração. Jesus orou, pois este é o caminho que nos aproxima. É caminho de mão dupla onde aqueles que estão separados ontologicamente vão se aproximando a cada oração.

Ore! Tire tempo para dizer as palavras que Ele não pode dizer por você: fale com Ele sobre os sentimentos que tem por Ele; peça perdão pelo modo como você tem levado sua vida, como tem tradado as pessoas. Isso, Ele não pode dizer por você. Como afirmou Paulo, "o amor não se impõe aos outros" (1 Co 13, A Mensagem).